EMILY
Assim que terminamos de dançar a nossa segunda música, Ben me puxa pelo braço. Vamos até um local isolado. Ele me lança um sorriso safado.
—Estamos namorando a meses.—ele sussurra no meu ouvido.
Devo ter feito uma cara de desentendida enorme, porque ele revirou os olhos e continuou.
—Você não acha que chegou o momento?
—Ben? O-o que você está insinuando?—pergunto, o empurrado para trás.
Ele me agarra pela cintura e me puxa para a parede. Minhas costas batem com tanta força nela que provocam um som muito alto e eu sinto uma dor horrível. Ben começa a beijar meu pescoço e eu tento me livrar de várias formas.
—Para com isso!—grito.
—Qual o seu problema? Vai me dizer agora que gosta de mulher?—ele rosna.
Arregalo os olhos.
—Como assim? Como você...
—Então me prove que eu faço seu tipo!—ele abaixa a alça do meu vestido. Subo ela.
—Pare!—grito.
Ele me olha com ódio e rasga alguns babados da parte de baixo do meu vestido. Observo essas partes pousarem do chão e tomo coragem para morder a mão dele.
Ben solta um grito, mas não me larga.
Assim, me vejo sem opções e estava pronta para chutar o "companheiro" dele com o joelho, quando Toby surge do nada e começa a socar Ben e fazer sinais com a cabeça mandando eu ir embora. Agradeço ele com um sorriso e saio voando dali.
SPENCER
—Não acredito! Esse garoto é um idiota! Vai se ver comigo! —Eu grito, cerrando os punhos assim que termino de escutar a história de Emily.
—Calma! Toby já está se resolvendo com ele!—Emily diz.
—1...2...3...—tento me acalmar. Que garoto ridículo!
—Esquece isso, Spencer.—Emily fala, olhando em volta.
—Já estou mais calma...—falo, tentando me convencer disso.
Quem ele pensa que é para fazer isso com a minha amiga?
—Eu quero ficar um pouco sozinha, vou ali rapidinho mas já volto.—Emily sussurra, apontando.
—Ok.
—Se o Toby chegar, agradeça ele por mim.—ela completa e sai correndo.
Assim que ela sai, quase que instantaneamente Toby aparece.
Corro para abraçá-lo. Seguro seu rosto. Ele estava com um arranhão na bochecha e a boca roxa, sagrando.
—Ai meu Deus, Toby! Está doendo muito? Vamos agora para o hospital! —grito.
—Não precisa!—ele desvia o rosto.
—Isso está feio. Vamos então para a minha casa cuidar disso.—sugiro.
—Eu sei. O que me conforta é que o desgraçado está pior.—ele ri.
—Você foi muito corajoso. Mesmo. Estou agradecendo pela Em. Ela passou por aqui. Precisava ficar um pouco sozinha, mas mandou te agradecer também.
Ele sorriu.
—Não aguento ver você assim! Que tal irmos lá para casa?
—Não precisa. Sério.
—Espera aí. —falo e saio correndo.
Compro água, pego alguns lenços da minha bolsa e também um pouco de base.
Aplico no rosto dele a base para esconder os arranhões. O lenço serviu para amenizar um pouco o sangue da boca.
Ao final, dou a água para ele beber.
Toby sorri e me beija.
—Obrigado, Spence...
ARIA
Assim que terminei de falar com as meninas, andei meio perdida. Sentei em um banquinho cercado de árvores e agora estava nessa situação: ouvindo barulhos de algo se mexendo por entre as plantas e morrendo de medo. Levanto do banquinho e sigo o barulho. Vou andando e... Não pode ser! Era Ezra! Corro em sua direção e nos abraçamos. Ficamos apenas abraçados por segundos incríveis, em que posso sentir seu cheiro de café misturado com perfume. Um cheiro que eu tinha aprendido a amar.

Me afasto e olho em seus olhos verdes.
—O que está fazendo aqui? Não disse que não poderia vir porque tinha uma reunião?—pergunto.
Ele sorri.
—Queria fazer uma surpresa.
—Então conseguiu. Nem imaginava!
Ele sorri novamente.
—Vamos dançar?—ele me pergunta, fazendo uma reverência desengonçada.
Começo a rir dele.
—Bobo!
—Isso é um sim?
—É.
Ele me puxa pela mão e chegamos até a pista. Era uma música lenta.
—Quero ver seu rosto.—ele fala, do nada.
—Mas Ezra... Todos aqui te conhecem, sabem que você é meu professor e que eu sou a aluna! Eles vão...—começo, mas ele me interrompe.
—E daí? É nossa primeira dança juntos. Quero ver seu rosto!
Ele começa a retirar minha máscara lentamente, analisando cada parte do meu rosto que vai sendo revelada.

Assim que ele termina de tirar a minha, tiro a dele também fazendo isso.
Nos olhamos por um tempo e depois voltamos a dançar.
—Eu te amo.—ele sussurra no meu ouvido.
—Eu também te amo.—falo. Eu sabia que o amava. E muito.
ALISON
Quando termino a conversa que não deu em nada, apenas ofensas, saio da cabine telefônica exausta.
Desisto DELA. Que ódio!
Caminho pelas ruas desertas até em casa. Quando chego me deparo com meu irmão.
—Ah, oi Ali!—ele grita.
Atrás dele também chega alguém.
Não pode ser! Faz tanto tempo que não a vejo! Minha mãe tinha proibido minha amizade com ela. Mas eu a adorava, apesar de ter que esconder nossa amizade de tudo e todos. Era a namorada de Jason. Era a Cece!
—Cece!—grito e corro para abraçá-la.
—Alison! Que saudadeee!—ela abre o maior sorriso.
Jason bufa. Ele sobe as escadas e avisa que vai no banheiro e já volta.
—Então, pode ir me contando por que está triste.
—Eu não estou triste.
Ela me encara.
—Alison. Eu te conheço. Você pode até enganar alguma outra pessoa, mas não a mim.
Suspiro.
—Estou irritada com algumas coisas sim. É que sabe...—começo, mas Jason grita da escada.
—Cece! Quero minha namorada para mim um pouco...
Ela revira os olhos e já estava pronta para dizer um "agora não dá" mas Jason fez uma carinha de cachorro abandonado e ela não resistiu.
—Promete que depois vai me contar. —Cece sussurrou.
—Prometo.—suspirei.
—Ah vem cá, meu idiota mais lindo do mundo! —ela abriu os braços e fez voz de bebê.
Eca. Que nojo.
Liguei a TV e olhei o relógio da sala.
Agora que lembrei! O baile! Não posso faltar!
Subo as escadas correndo. Enfio minha máscara e meu vestido preto e faço cachos no meu cabelo.
Em desespero, desço as escadas. Acabo tropeçando em um dos últimos degraus e caio com tudo no chão. Fico um tempo deitada ali. Minha cabeça está girando e tudo está embaçado. Levanto. Tudo vai ficar bem, Alison. Espero um tempo parada em pé e volto a correr apesar das dores.
HANNA
Estava conversando com Mona. Ela estava me contando da reação das pessoas quanto a sua mudança e estávamos criticando o vestido das outras meninas da festa. Estava tudo bem até meu celular apitar. Assim que vejo que é uma mensagem de A, aviso que já volto e me afasto. Abro a mensagem. Era curta, mas assustadora.
"Eu vejo você. -A"
Olho em volta, desesperada. A estava me observando. Corro para fora da festa. Assim que saio, avisto alguém mexendo no celular. A pessoa estava de casaco com capuz preto. Meu coração acelerou. Seria A? Me enfio entre os arbustos e observo a pessoa de longe. Ela olha em volta e sorri. Aperto os olhos para ver melhor. Não pode ser! Meu Deus! Com o coração quase saindo pela boca, mando uma mensagem para as meninas.
"S.O.S
Sei quem é A! Me encontrem no estacionamento. Vcs sabem onde é. Venham logo."
Encaminho para todas e saio de trás da árvore. Vou para o estacionamento e espero alguns minutos ali. Avisto elas chegando. Aceno e de repente, a expressão das três muda completamente e elas começam a gritar meu nome.
Me viro para trás, sem entender nada. Arregalo os olhos. Um carro cinza estava vindo na minha direção, cada vez mais rápido.
Congelo, sem saber o que fazer. Não consigo me mover por mais que queira. Minhas pernas parecem duras e secas e se recusam a qualquer movimento.
Tudo isso só durou um segundo. Nem percebi que tinha sido atingida até que estivesse no ar. Cai no chão duro e senti uma dor muito forte. Meu corpo inteiro doía. Eu queria gritar, mas não conseguia. Apesar da vista embaçada consegui ver que minhas amigas gritavam, se aproximando correndo. E então, não consegui ver mais nada. Tudo ficou preto.


NARRADOR
Aria se ajoelhou na frente de Hanna. Logo atrás dela, chegavam Spencer e Emily. As três já estavam com os olhos marejados. Que desgraça!
—Hanna! Acorda! Pelo amor de Deus! —Aria chacoalhava a amiga.
Os celulares das três apitam. Elas se entreolham assustadas.
—Ah não...—Emily sussurra.
Spencer tremia.
As meninas lêem a mensagem.
"Ela sabia demais. -A"
Spencer solta um gritinho. Emily chora cada vez mais e Aria fica completamente pálida.
As três começam a gritar por ajuda, desesperadas.
—Alguém!—Emily chama.
—Socorro!—Aria grita, se levantando.
—Nos ajudem!—Spencer acompanha.
—Por favor!—Emily grita novamente, entre lágrimas.
As palavras de A ecoam na cabeça de Aria.
Ela sabia demais.
Então, ela estava mesmo certa. O jogo só vai piorar. A é um pesadelo.












